Archive for Junho, 2009

Inner City – a crise económica

30/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

No debate que se seguiu às intervenções de Isabel Santos, Alberto Castro e Álvaro Domingues no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, os intervenientes abordam a questão da actual crise económica e como ela pode ser transformada numa oportunidade. Alberto Castro apresenta aquilo a que chama Pequenos Projectos Possíveis e o papel que eles podem desempenhar

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 30:27

Algumas notas:

  • como viver sem a regionalização
  • temos que tratar de vida
  • necessário encontrar dimensões comuns
  • Poucos / Pequenos Projetos Possiveis => cidade erasmus, cidade ecoeficiente…
  • não temos sido capazes de criar fóruns cívicos
  • reabilitação urbana, parques escolares
  • investimentos de próximidade: velhice, centros de dia, prestação de serviços de saúde
  • há muitos problemas que temos onde as cidades são um espaço em que eles se manifestam por excelência em que a questão do desemprego pode ser de algum modo combatida, não definitivamente, mas criando ocupações em part-time, que permitam que as pessoas tenham outros espaço inclusivamente para procurar o emprego que as satisfaça, mas muitos destes empregos são forma de dignificação, aumentar a auto-estima… isto não custa um tostão.
  • poder centralizado não consegue olhar para questões concretas
  • quando se é um cidadão normal a gente percebe que há uma série de problemas que pode ser resolvida por eles [cidadãos]
  • faz sentido pensar num novo rumo para o porto quando não se sabe o que é porto?
  • ter uma área metropolitana é ter mais do que o somatório de partes
  • sofremos todos no sindrome do condominio: participamos pouco mas ficamos chateados quando a lampada da nossa porte se funde
  • a nossa dimensão civica é demasiado embrionária
  • fundo civico de investimento

Inner City – Isabel Santos

30/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Isabel Santos, licenciada em relações internacionais, deputada à assembleia da republica sugere que é necessário promover a coesão territorial e a coesão social, e que algumas dificuldades do país e da região norte advêm da actual organização administrativa .

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 12:13

Algumas notas:

  • qual o papel do estado
  • promover a coesão territorial e a coesão social
  • investimento do estado
  • perda de potencial competitivo
  • temos grandes infraestruturas mas o que fazemos com isso
  • que lógica de intervenção temos para essas infraestruturas
  • dificuldades que advêem com a organização administrativa actual
  • reforma necessária à região norte: regionalização
  • amp que não funciona
  • não há nenhuma infraestrutura supramunicipal que confira lógica a alguns investimentos
  • relação com galiza necessitava de liderança legitimada
  • cidadania: passo importante para a mobilização dos cidadãos

Inner City – Alberto Castro

29/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

“adverCidade”, “neceCidade”,  “autentiCidade”, “diverCidade” e responsabilidade são algumas palavras que Alberto Castro, economista, docente da Universidade Católica Portuguesa usou para descrever a realidade portuense na sua apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 24:32

Algumas notas:

  • cidade
  • “adverCidade” – desemprego, pobreza, poluição
  • “neceCidade”
  • cidades ecoeficientes / porto como cidade preparada para o carro eléctrico
  • “autentiCidade” e “diverCidade”
  • porto – cidade erasmus
  • somos muito iguais – isso é terrivel
  • necessário outras capacidades para ver o mundo
  • mais interessante ligar ao interior da região norte do que à galiza
  • perdem-se congressos porque não há voos directos para os eua
  • concorrência para lisboa e para todas as capitais
  • infraestruturas de congressos não servem para nada sem voos directos
  • aeroporto sa carneiro causa do norte e de parte do centro
  • problema não é de investimento mas sim de gestão, gerir aquilo [o aeroporto] em função das necessidades da região
  • o problema do terreiro do paço é de lisboa, temos que tratar da nossa vida
  • necessidade de lógica mais extrovertida que passa pela cumplicidade com actores publicos e privados / cidadãos
  • criar discurso mas também solidariedade
  • recurso critico de uma cidade competitiva => cidadania.
  • temos capacidade de queixa mas não temos capacidade de fazer
  • vossa responsabilidade construir a nossa felicidade

Inner City – Álvaro Domingues

29/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Álvaro Domingues, geógrafo, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto apresenta alguns dos factores que podem ter levado a cidade do Porto e a região norte para uma situação de declinio, nomeadamente a situação de dupla periferia, mas aponta também alguns sectores que estão a revelar algum dinamismo, como a o caso do sector da saúde, e que podem representar oportunidades de desenvolvimento para a região.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 33:48

Algumas notas:

  • porto teve processo terciarização tardio e truncada
  • dupla periferia – país periférico e aglomerado urbano periférico no seu país
  • relação sector do serviços => adm. pública e consumo final
  • tecido industrial pouco interessante na procura de serviços
  • sectores tradicionais => no processo produtivo
  • sectores emergentes => saúde, farmácia, produção software mas corpuscolar
  • ausências notórias => média – produção e divulgação da opinião está centralizadissima como quase tudo
  • provoca amnésia do que é a vida pública da cidade e região
  • pontos positivos: universitario, saúde (investigação), indústria dos serviços saúde; logistica (rede viaria, leixoes, aeroporto)
  • fixadora de mão de obra muito qualificada
  • estes sectores não são portocentricos
  • rede infraestutural como efeito disseminador
  • turismo => sector normalmente com boa performance na globalização
  • sobre massifica / sobre especializa
  • falta experiência a promover
  • cruzeiros? tentar atrair as rotas dos eua, mas tem a competição de vigo
  • dificl montar estratégia para vender turismo
  • podia ter sido turismo congressos… concorrência algarve
  • potencial da produção cultural => desproporção positiva (dimensão da cidade vs imagem que projecta)
  • cruzamentos entre sectores – ex: saude + turismo
  • combinações virtuosas => por exemplo na saúde coimbra – porto
  • mas a quem vamos vender isso?
  • qual o potencial norte portugal / galiza? não há grandes dados
  • anda ao sabor do voluntarismo
  • se não há actores, as coisas acabam por se desfazer
  • economia centrípeta / rarefeita
  • cidades nó de autoestrada
  • 3 fases de internacionalização no passado: rota flandres – liga hanseatica; inglaterra; brasil
  • agora em que geografia da internacionalização estamos?

Inner City – Teresa Lago

26/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Teresa Lago, Astrofisica, fundadora do Centro de Astrofisica da Universidade do Porto e responsável da capital europeia da cultura de 2001, revê toda a Experiência da Porto 2001, desde a sua criação até à cessação de actividades apresentando a sua visão critica que inclui, o que considera que correu bem nomeadamente a autonomia e duração contida do projecto e o que se pode aprender do que correu menos bem, como o irrealismo nas definições dos objectivos iniciais;

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 28:14

Algumas notas:

Experiência da Porto 2001

  • – factos:
  • orçamento 3 anos 1999/2000/2001/jun 2002
  • inicio 183,5M€ e foi aumentado em 23% para 226M€
  • orçamento executado com um défice de 4%
  • dificuldades com atrasos de transferências, pagamento iva com o mecenato que não estava previsto
  • * 1/3 construção, reabilitação infraestruturas culturais
  • casa da musica 55M€; mnsr 9%; teca 6,9ME; CPF 4M€; sbento vitória 2.6M€; casa da animação 1.6M€; 50% BMAG 4M€; partes do coliseu 1,5M€
  • * >13% programação cultural, quase 30M€
  • 2000 eventos >1M espectadores
  • * renovação espaço público
  • houve intervenção sobre uma área de 126km2
  • intervenções em 35 ruas e praças
  • * revitalização económica da baixa => apesar de muitos esforços essa componente foi inquinada por politiquisse
  • – opinião pessoal / subjectiva
  • em que outros 30 meses houve no porto uma tal revolução?
  • quando é que o porto teve outro investimento com esta dimensão?
  • 226M€ => 2,4% orçamento camarário; >6% mecenato directo => giving back
  • quando voltará o porto a sentir um tal envolvimento e mobilização. ou a ser notícia e ter a visibilidade que teve durante a porto 2001
  • cerca 21 mil artigos jornais, >3mil tv, web 11.3M hits
  • o que não estava feito em 30-jun 2002: casa da musica, teca, funicular guindais
  • – visão crítica
  • o que correu bem: ambição projecto; pôs os arquitectos a pensar a cidade; renovação equipamentos culturais; renovação ruas / espaços públicos com foco na perspectiva dos utilizadores; abertura à discussão pública regular dessas intervenções; qualidade e empenhamento de equipa relativamente pequena; mobilização do público; visibilidade acrescida que a cidade teve; afirmação do porto como uma cidade europeia; o que se coonseguir concretizar num tempo curto – 42 meses entre decreto lei inicial e data encerramento.
  • a repetir: pretexo – criação da oportunidade; modelo projecto: autonomia e duração contida; estrutura e tipo de governo da soc.2001 – construida para ser um complemento e estar em consonancia com a camara, mas com autonomia suficiente para ser independente de questões eleitorais; autoridade / autonomia / responsabilidade; foco na cidade como local apetecivel para viver nas suas diferentes utilizações / facetas / utilizações
  • experiências criticas
  • – irrealismo nas definições dos objectivos iniciais; insegurança e indeterminação dos financiamentos; atrasos nas transferências financeiras porque envenenam e condicionam a execução; desadequação entre prazos e objectivos; politização de um projecto
  • recomendações
  • – criar novos pretextos para intervenções de fundo bem pensados com timings bem definidos

Inner City – João Teixeira Lopes

26/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, João Teixeira Lopes, sociólogo, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, percorre as diferentes gerações de pensamento do urbanismo e como ele se refletiu na cidade do Porto frisando ser necessário fazer do Porto um lugar do mundo mas em que todos estão nesse mundo.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 16:10

Algumas Notas:

  • pouco contacto entre faculdades
  • sociabilidades urbanas
  • – portas – fecham
  • – pontes – unem
  • 3 gerações urbanismo
  • 1º racionalimo – boulevards para evitar as barricadas das classes perigosas
  • toda a cidade seria o espaço público – brasilia
  • fez-se tabua rasua de muita memória / identidade
  • urbano cada vez mais um sistema de redes
  • não podemos viver numa sociedade arquipélago
  • é possivel haver mais do que as ilhas / shopping
  • 2º contextualismo – reinventar a tradição. ex: adro sé
  • tradição inventada
  • 3º marketing urbano
  • desaparece quem não tem relevância estratégica
  • não se fala dos que ficam fora da cidade
  • patriotismo de cidade – tentar chamar as pessoas para uma identidade que deve ser contruida pela diferença e não pelo fechamento
  • planeamento estratégico => gentrificação => sru
  • algum captial quer conquistar certas partes da cidade
  • a cidade empresa deve ter a locomotiva cultural à frente
  • necessidade de teatro municipal
  • la feria poderia estar na cidade. faz sentido mas não ali
  • serviços educativos => trabalho na comunidade
  • presidencialismo municipal – excessiva concentração de poderes numa pessoa
  • porto pode ter serviços qualificados geradores de inclusão
  • clsuter multimedia
  • plataformas digitais mas incluindo população
  • politecnico, universidade católica, media park
  • sobre a cinemateca no porto
  • cultura parece inutil
  • fazer do porto um lugar do mundo mas em que todos estão nesse mundo
  • dualização social é prioridade
  • não há rede sem amarração, não há rede sem nó

Inner City – Francisco Barata

25/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento inner city, realizado em 17-abril-2009, Francisco Barata, arquitecto, presidente do conselho directivo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, refere que a associação metropolitana do porto ainda não passa de um slogan, que falta ao porto criar relações com as cidades adjacentes e alerta ainda para o risco que é passar directamente do discurso teórico que tem como referência cidades como méxico ou nova iorque para a realidade do Porto.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total –  17:28

Algumas notas:

  • por um território urbano… contra quem?
  • amp vs porto
  • compete à cidade do porto estruturar-se
  • discurso dos novos desafios e como os implementar
  • amp ainda não passou do slogan
  • ainda diferença porto / gaia / matosinhos
  • visão mais abrangente só mesmo no discurso e teses académicas
  • se não tivermos um espaço urbano hierarquizado, organizado não temos condições para defender um sistema / malha
  • falta ao porto criar relações com cidades adjacentes
  • porto devia lutar pela ligação que não foi feita no sec. xx que é uma ponte à cota baixa no enfiamento da rua d. pedro v para fechar circuito entre as duas marginais
  • o que é mais forte é a relação porto / lisboa
  • falta política reabilitação areas periféricos / bairros camarários
  • potencialidade de criar malha urbana de “ponte” com a periferia
  • novo centro do porto – boavista?
  • não confundir uma recta com uma centralidade
  • necessário alargar visão aleixo / j. diniz
  • não passar de discurso teórico que tem como referencia cidades como méxico, nova iorque, bogotá, tóquio, e trazê-los para o porto => 300.000 – 3.000.000 no mínimo
  • não há dinheiro? “sec xix fizeram-se 2 pontes com uma diferença de dez anos, depois de uma guerra civil, agora com a ue a descarregar paletes de euros em portugal, não temos dinheiro…”

Inner City – Elisa Ferreira

25/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Elisa Ferreira, economista, docente da Faculdade de Economia do Porto e eurodeputada expõe o que acha que é a cidade, como os factores que actualmente geram riqueza se desmaterializaram, e como a cidade do Porto pode ultrapassar esses desafios através da sua marca.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

Duração total – 19:03

Alguns destaques:

  • falar do que acha que é a cidade
  • não está contente com o estado em que a cidade está
  • cidade tem um papel mais importante do que tem actualmente
  • mundo das cidades mais do que países / regiões
  • tempo / espaço reduziu
  • é necessário encontrar os nós, os pontos que fazem a amarração de tudo isto que está a acontecer
  • factores que fazem riqueza desmaterializaram-se
  • indústrias criativas => cliché?
  • necessidade de ouvir o que os cidadãos querem dizer
  • não há grandes iluminados, muito menos na política
  • há grande capacidade de gerar energia e é importante apanhar esses contributos
  • é importante que sejam as forças vivas da cidade a redinamizar a cidade
  • cidade actual está fechada sobre si própria
  • tem que ser espaço que estrutura a diferença
  • há incapacidade em nos ouvirmos uns aos outros
  • necessidade de cidade dinâmica
  • cidades têm que funcionar em rede
  • tem que saber aquilo que tem para se relançar
  • porto tem marcas
  • porto tem imagem colectiva
  • actualmente estamos fora do tempo, estamos fechados
  • vinho do porto, futebol, escola arquitectura, saúde
  • vários vectores que se podem articular
  • problemas de esquizofrenia da cidade
  • cidade deixou-se desagregar
  • condomínios fechados => espaços exclusão social
  • a cidade tem que ser feita de diferenças
  • guetos elitistas e guetos de exclusão
  • solidariedade vs inclusão

Inner City – Joana Nascimento

24/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Nesta apresentação enquadrada no evento Inner City, realizado em 17-abril-2009, Joana Nascimento, artista plástica, reflete sobre o que se pode fazer para despoletar novos usos para a cidade e como passar dos discursos para a prática.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

duração total – 05:03

Alguns destaques:

  • cidade mais do que património construído
  • trabalho multidisciplinar
  • passar do discurso para a prática
  • contributo da arte? podemos pedir aos artistas mais do que esculturas
  • estabelecer práticas colaborativas na reformulação da cidade
  • património construído / social / imaginário
  • o que se quer fazer é algo que não passa num postal
  • como é que se pode despoletar novos usos da cidade.

Maria José Morgado – Urbanismo Ilegal: Uma Justiça Impossível #2

10/06/2009

Mudamo-nos para www.oportoemconversa.com

Neste programa continuamos a retransmitir a gravação que fizemos no dia 30 de maio de 2009, na Universidade Lusófona do Porto, da intervenção da dra. maria josé morgado, intitulada Urbanismo Ilegal: uma justiça impossível.

Na segunda e última parte deste programa, temos a sessão de perguntas e respostas que se seguiu à sua intervenção inicial, por razões técnicas não conseguimos incluir o som das perguntas feitas pela asistência pelo que apresentamos só as respostas dadas.

Podem descarregar o programa directamente ou subscrever o podcast através deste link .

alguns destaques:

  • 05:15 – temos ferramentas do tempo da idade da pedra, não temos bases de dados, não trabalhamos em rede, e portanto não temos acesso à informação que permita detectar os fenómenos e agir com proactividade, com audácia, e não esperar que as comadres se zanguem para se ter conhecimento às vezes dos problemas.
  • 07:40 – o conselho de prevenção para a corrupção (…) a meu ver tem uma insuficiência, eles têm-se esforçado por fazer um levantamento e um balanço das actividades de risco potenciadoras do fenómeno corruptivo, mas a meu ver é um organismo demasiadamente fechado, demasiadamente separado da investigação criminal e que não se traduzirá numa detecção e num desenvolvimento de actuação robustecida das autoridades criminais
  • 08:50 – enquanto um traficante de droga sabe que se for apanhado com vários quilos de droga ou até com várias gramas corre um risco sério de ser condenado, aqueles que se dedicam a actividades corruptivas no sentido amplo do termo não sentem que correm qualquer risco.
  • 16:05 – o que é que a sociedade civil pode fazer? eu vou dizer isto numa palavra que pode parecer brutal, mas é, denunciar, denunciar, denunciar, e as pessoas não se deixarem impressionar com as exigências de concretize, diga nomes, prove, provar é no tribunal, provar é no tribunal, instrução dos processos e recolha de prova é no tribunal, as denúnicas as pessoas podem e devem fazê-las caracterizando os fenómenos, não é ofender o bom nome de ninguém mas é caracterizar os fenómenos. Aliás nós vivemos no maravilhoso mundo da presunção de inocência, a presunção de inocência é só, só, tão só uma regra de apreciação das provas para os senhores juízes utilizarem quando estão a decidir um caso ou seja quando alguém é presente em julgamento só pode ser condenado se os factos se provarem para além de toda e qualquer dúvida e é isso que se chama a presunção de inocência, mas a presunção de inocência não serve para eu ser desonesto e me manter no lugar e não permitir que ninguém me critique ou não permitir que a opinião pública se indigne com o resultado da minha actuação. a presunção de inocência é uma regra técnica, é uma regra de apreciação de provas, não é uma regra de substituição da ética e da honestidade dos cargos públicos, e portanto quando eu digo denunciar, denunciar, denunciar, é denúnciar a desonestidade, a falta de decência no desempenho dos cargos, isso as pessoas têm direito a denunciar e não são obrigadas a apresentar provas
  • 28:25 – não era possível em portugal um caso como o maddoff não era possivel com o nosso sistema penal, não era possivel pura e simplesmente porque o nosso código de processo penal não prevê aquela modalidade de condenação, no sistema americano o ministério público recolhe as provas sem intervenção nenhuma do acusado, ou com uma escassa intervenção, enquanto que por exemplo no sistema português o ministério público enquanto recolhe as provas tem que as comunicar ao arguido, tem que comunicar os factos, os meios de prova, e permitir o contraditório, ainda antes da acusação, o que torna logo o processo extraordinariamente moroso, mas portanto, no sistema americano o ministerio publico recolhe as provas, organiza os dossiers e apresenta-os ao acusado, e então o acusado depois escolhe, se quer confessar a culpa, negoceia a culpa, têm um sistema que é uma espécie de negociação da culpa precisamente porque o ministério público em vez de apresentar a pessoa a julgamento, combina, negoceia de facto com a pessoa como é que ela… que tipo de condenação ou de sanção ela aceita… para o ministério público isto facilita porque evita desastres em julgamento ou decisões menos concentâneas com aquilo que é previsivel, (…) se não negoceia à julgamento imediato com fluidez com apresentação dos dossiers e decisão pelo juri. Nós não, nós temos uma fase de recolha de prova extraordinariamente ritualizada em que tudo tem que ser comunicado, tudo tem que ser debatido ainda antes de ser dada acusação, portanto estasse a debater uma coisa que ainda nem sabe o que é que é… tudo isto com prazos máximos, se houver presos pode ir até um ano, mas se não houver prazos pode ultrapassar o prazo de um ano, depois disso, se houver provas, se o ministerio publico conseguir reunir as provas suficientes com toda a exigência legal a nivel de provas, é formulada uma acusação, perante a acusação os arguidos podem ainda requerer instruçaão, o processo não vai imediatamente para julgamento, portanto aquilo que foi discutido em inquérito volta a ser discutido em instrução, depois o juiz de instrução decide se pronuncia ou não se pronuncia ou seja se confirma ou não confirma a dedução de acusação pelo ministério publico, no caso de não confirmar é mais outra entidade a interpretar as provas, no caso de confirmar o caso vai para julgamento, qualquer processo que tenha mais de dez arguidos podem ser anos em julgamento, porque cada arguido tem direito a contraditar os factos até ao milimetro, a recorrer de todas as decisões do juiz de julgamento interlocutórias, não a decisão final e depois se ao fim de isto tudo ainda houver condenação ainda há recurso em duas instâncias e depois ainda há recurso para o tribunal constitucional.